Como o hábito de fumar influencia seu filho

Foi feita uma pesquisa com 2.400 crianças de 5 a 6 anos de diversas nacionalidades, dentre elas brasileiras. Essa pesquisa mostrou que ao serem apresentadas à 8 logos (aquele desenho que identifica qual é o produto) de cigarros, 68% dessas crianças eram capazes de dizer o nome da marca de pelo menos um dos rótulos. Todas elas tinham ao menos um parente fumante.

Parece “bobeira”,  afinal: crianças são curiosas, percebem tudo ao seu redor. Sim, justamente por perceber tudo a criança pode guardar no fundo de sua memória que o cigarro tem uma função e uma importância na vida.

Seu filho não faz essa associação de maneira objetiva, mas ele faz em sua cabecinha associações de momentos que envolvem o cigarro (o mesmo vale para bebidas e drogas). Por exemplo: se a criança observa os pais irritadiços,  reclamando do quanto o dia foi exaustivo, o quanto não via a hora de chegar em casa. E essa mãe ou esse pai senta, ou vai para a varanda, acende um cigarro e ao final dele seu ritmo já está mais desacelerado e seu tom de voz mais acolhedor. A criança, guarda em seu registro mental que o cigarro acalma, que o cigarro “traz felicidade”.

Isso fica registrado de maneira “subconsciente”,  muitas vezes. Até que chega um momento em que uma situação angustiante (usando ainda o mesmo exemplo cima) surge e reativa essa memória “de que seria bom um cigarro”.

A maior parte dos fumantes experimentou seu primeiro cigarro ainda criança, antes dos 16 anos. Sendo muito comum o roubo de cigarros dos maços e cinzeiros de casa.

“Ah, eu fumo mas sempre digo para meus filhos que fumar é errado, que fumar faz muito mal. Que não é bom. Assim eles vão aprendendo desde de cedo. E digo que vou parar, o problema é que é muito difícil!”

É preciso fazer além do que apenas falar. Se você diz para seus filhos que algo é ruim e continua fazendo, imagina o “nó” que dá nas cabecinhas deles?

“Se meu pai ou minha mãe que são tudo para mim não conseguem parar de fazer algo que é ruim para eles e para mim,como eu vou conseguir parar de roer a minha unha ou chupar dedo?”

Vejam como o fumar pode influenciar muito além, do que apenas no criar o vício no tabaco, nas crianças. Sim, associações como essas podem ser feitas em diversas áreas. Inclusive no desenvolvimento de transtornos compulsivos. A criança que é “ensinada” que as coisas difíceis não podem ser abandonadas podem  crescer achando que não conseguem romper com suas dificuldades. Podem, também, crescer com medo de se aventurar em seus sonhos por não se acharem capazes de passar por situações que exijam grande esforço como: entrar pra algum time esportivo da escola,passar num concurso público ou até mesmo namorar o garoto ou a garota dos sonhos.

Lembrem-se que todas as suas ações ajudam na construção de pessoalidade de seus filhos. Parar de fumar nem sempre é uma jornada fácil, mas todos vocês são capazes de conseguir. Busque ajuda profissional. Não existe vergonha em se ajudar. Veja o texto que escrevi sobre o processo de parar de fumar (clique aqui).

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Juliana Pellegrino, Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2010). É Gestalt-terapeuta pelo Centro de Gestalt-Terapia Sandra Salomão e Terapeuta Familiar Sistêmica Breve pelo Núcleo Pesquisas – Moisés Groisman. Trabalha como Psicoterauta individual de crianças, adolescente e adultos e também faz atendimento familiar e de casal. Trabalha atualmente com intervenção precoce em crianças com desvios no desenvolvimento, com o foco em crianças com possível risco autístico ou já diagnosticadas autistas. Também realiza Grupos Terapêuticos Infantis (enfoque na melhoria de habilidades sociais e estimulo de desenvolvimento) e Grupos Terapêuticos de Adultos (os temas variam de acordo com a demanda, por exemplo: Grupo de apoio à mães de crianças especiais).

Consultório: Flamengo e Botafogo Rio de Janeiro – Brasil

Telefone para contato: (21)98320-4159