Brincar no pula-pula é seguro para a criança?
O pula-pula é um brinquedo popular no nosso meio.
 
É comum encontrarmos em casas de festa infantis e até mesmo em parques públicos.
 
O perigo da utilização do pula-pula foi reconhecido pela Academia Americana de Pediatria devido ao crescente número de acidentes com as crianças que usam esse brinquedo.
 
Foi observado também que, não existem normais e regras de segurança para a utilização do pula-pula e uma frequente falta de informação dos pais sobre os riscos que essa atividade oferece.
 
 
 
 
Diversos estudos científicos tem sido publicados na literatura médica internacional visando responder alguns questionamentos importantes, como por exemplo:
 
– Qual a faixa etária mais susceptível a lesão?
 
– Qual a lesão mais frequente observada nas crianças que brincam no pula-pula?
 
– Qual a frequência de lesões que exigem internação hospitalar para tratamento?
 
– Qual o cenário mais propício para uma lesão?
 
– Existe alguma maneira de prevenir e proteger as crianças dessas lesões?
 
 
A principal lesão:
 
Os trabalhos científicos afirmam que a principal lesão que ocorre nos acidentes com as crianças no pula-pula são as fraturas.
 
 
 
 
Essas fraturas localizam-se principalmente nos membros superiores sendo o punho, antebraço e cotovelo as regiões mais acometidas.
 
Predomina as localizadas no antebraço.
 
Quando acomete o membro inferior, a tíbia (osso da perna) é o local mais comum.
 
 
O mecanismo da fratura:
 
Geralmente as fraturas ocorrem por quedas dentro do pula-pula causadas pela colisão de uma criança com a outra ou por quedas de uma criança sobre o membro superior da outra.
 
 
 
 
 
A idade mais acometida:
 
A faixa etária mais acometida são as crianças abaixo dos 6 anos de idade.
 
 
 
 
A incidência de internação hospitalar:
 
Com relação ao tratamento dessas fraturas, os estudos revelam que 41% exigem internação hospitalar pois, são fraturas desviadas que necessitam de manipulação sob anestesia e no centro cirúrgico para a correção dos desvios e alinhamento dos ossos, seguido de imobilização gessada para a consolidação adequada.
 
Existem também os casos de cirurgias abertas para posicionamento adequado dos fragmentos ósseos exigindo fixação com material de síntese interna ortopédica, principalmenta nas fraturas de punho e cotovelo.
 
 
O tratamento não cirúrgico:
 
59% das fraturas são as sem desvio e portanto são tratadas com gesso sem necessidade de internação hospitalar.
 
 
O cenário propício para a fratura no pula-pula:
 
A literatura médica confirma também que 83% das lesões ocorrem quando o pula-pula está sendo utilizado por mais de uma criança ao mesmo tempo, sendo que em média basta duas crianças usarem ao mesmo tempo para que uma fratura ocorra.
 
Em 60% dos casos de acidentes com as crianças, o pula-pula não estava sendo supervisionado por nenhum adulto.
 
 
O tipo de pula-pula:
 
O mais perigoso é o pula-pula de uso domiciliar, também conhecido como cama elástica e que não tem barras protetoras laterais com rede.
 
 
 
 
Esses são responsáveis por cerca de 57% dos acidentes, principalmente devido a queda de criança direto no solo por manobras realizadas e não controladas pela criança.
 
 
Esses dados servem como alerta e informação que visam determinar algumas normas de segurança como, por exemplo, as sugeridas pela Academia Americana de Pediatria:
 
 
 
 
– Pula-pula não deve ser utilizado como atividade recreativa domiciliar;
 
– Não deve ser usado por crianças abaixo de 6 anos;
 
– Crianças devem ser sempre supervisionadas por adultos;
 
– Limitar o número de participantes por vez;
 
– O pula-pula deve ter molas e barras laterais revestidas, acolchoadas e redes protetoras.
 
 
 
 
Conclusões:
 
O uso do pula-pula é uma atividade de risco;
 
Informações aos pais são muito importantes, principalmente sobre os risco de acidentes.
 
Devemos educar os responsáveis pelo brinquedo e os participantes no sentido de evitar acidentes e lesões.
 
A atividade deve ser sempre supervisionada e os riscos devem estar expostos através de placas, de maneira clara, junto do brinquedo.
 
 
Um abraço a todos,
 
Dr. Maurício Rangel
 
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