Baixa Visão e a Terapia Ocupacional

Se a criança tiver o seu sistema visual acometido por alguma doença ou má formação, isso poderá resultar em deficiência visual, que pode ser entendida como uma falha nesse sistema, não permitindo a adaptação no ambiente.

Dependendo do grau de comprometimento, poderá resultar em baixa resposta visual denominada visão subnormal ou ausência total de resposta visual, que seriam os casos de cegueira.

Nos casos da visão subnormal, o processo educativo se desenvolverá por meios visuais, ainda que seja necessária a utilização de recursos específicos e/ou adaptados.

Deve-se considerar que o nível de experiências, desempenho e eficiência visual é particular e, portanto, muda de indivíduo para indivíduo, independente da idade, patologia e acuidade visual.

As limitações que a ausência da observação visual impõe são relativas ao controle do ambiente, à orientação e ao domínio do corpo no espaço, à locomoção independente, à limitação das ações e, também, às brincadeiras e habilidades de interação social. Essas limitações podem ser compensadas pela participação em brincadeiras, jogos corporais e, principalmente, formas adequadas de interação e comunicação com o ambiente.

O desenvolvimento infantil é através da interação com o ambiente, mas a profundidade dessa interação vai depender da capacidade da criança para interagir com o ambiente em que se encontra. A criança dotada de visão é motivada a agir, porque extraem do seu meio os estímulos provocadores de ação. Já a criança com baixa visão pode não captar esses estímulos ou não saber como reagir a e eles, ficando, assim, privada das melhores oportunidades de desenvolvimento.

Portanto é preciso proporcionar à criança um ambiente que a estimule a usar a visão, de forma que esta a ajude a comparar categorizar, compreender e comunicar. Sendo a partipação do terapeuta ocupacional essencial junto às crianças com baixa visão, mediante a confecção de adaptações que promovam a inserção nas brincadeiras, atividades pedagógicas, promovendo um desenvolvimento integral.

Durante as adaptações pode ser pensado no tamanho e contraste das peças que facilitem a aplicabilidade e o uso do material, permitindo a aplicação dos mesmos para promoção das habilidades do indivíduo.

O brinquedo é um objeto facilitador do desenvolvimento das atividades lúdicas, que desperta a curiosidade, exercita a inteligência, permite a imaginação e a invenção. Estimula a representação e a expressão de imagens que evocam aspectos da realidade.

Algumas crianças com deficiência visual adquirem esquemas rítmicos de movimentos próprios e particulares como balançar o corpo e a cabeça, agitar os braços, movimentar as mãos gente aos olhos, esfregar as mãos, apertar os olhos, como forma de comunicação e expressão de seus sentimentos, emoções e tensões.

O brincar para criança com algum tipo de limitação deve ser feita de modo adequado para uma boa interação afetiva e comunicação pelo contato físico e verbal, com experiências sensórias- motoras significativas, como o brincar, e com movimentos corporais prazerosos. No caso dos brinquedos é necessário selecioná-los com mais cuidado, precisando ser coerentes com as necessidades e o nível de desempenho da criança.

A atividade de brincadeiras provoca um clima de descontração e afetividade dentro do qual a interação pode fluir mais naturalmente. O brincar, então, é fundamental para a criança com baixa visão, por favorecer e despertar seu interesse em conhecer, uma vez que a criança que enxerga é motivada a explorar os objetos. Jogos e brinquedos que desenvolvem as percepções táteis e auditivas ajudam-na a aprimorar os sentidos dos quais ela terá que se valer para compensar a deficiência visual. Já nos casos de imagens devem ser consideradas qualidade da imagem e a possibilidade de compreensão da figura, transformando traços em relevo, ampliando a imagem ou ressaltando o contraste. Para crianças pequenas estimular brinquedos com contraste em preto e branco ou preto e amarelo.

As atividades devem se incidir em um trabalho global de reorganização funcional procurando:

  • Associar impressões visuais com outros tipos de informação sensorial.
  • Relacionar novas experiências  com experiências anteriores
  • Favorecer o desenvolvimento da memória visual (remota e recente)
  • Aumento do Contraste
  • Uso de cores  fortes
  • Ampliação no tamanho de objetos para facilitar a percepção visual.

O terapeuta ocupacional tem um papel fundamental na atuação junto à criança com visão subnormal, pois pode dispor de recursos terapêuticos advindos da aplicação da Tecnologia Assistiva. Neste trabalho, em especial, a confecção de jogos e brinquedos adaptados, que facilitam a participação social da criança com deficiência por poder auxiliá-la a estar nos diversos espaços , facilitando a inserção  participação nas atividades de seu cotidiano, inclusive o brincar.

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Jaqueline Mourão, Terapeuta Ocupacional,  graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizo atendimentos em crianças com sequelas neurológicas, síndrome de Down, autismo e atraso no desenvolvimento motor, cognitivo, sensorial e dificuldade de aprendizagem que dificulta o desempenho ocupacional na realização das atividades de vida diária.
Durante os atendimentos sou adepta a prática da integração sensorial como técnica de estimulação e desenvolvimento do sistema vestibular, proprioceptivo e sensorial como forma de reduzir as sequelas e os estímulos exacerbados do meio.
Faço parte do Movimento Pró vida, em defesa dos nascituros, da intra e pós uterina, desde a concepção até o nascimento e desenvolvimento do recêm –  nascido.
Estou em constante defesa diante de apresentações e exposições orais da inclusão escolar e como a terapia ocupacional pode e deve colaborar e intervir durante o processo de inclusão escolar.