O Efeito das Drogas na Gravidez

O que é Síndrome de Abstinência no Recém-Nascido?

Trabalhando na área de saúde tive a oportunidade de acompanhar diferentes casos de mulheres que se tornaram usuárias de drogas. Por não terem acesso à informações sobre a influência das drogas na saúde dos seus bebês, elas acabavam prejudicando-os durante a gravidez.

Ao pensar sobre drogas logo vem à mente as drogas de abuso como heroína, metadona, álcool, cocaína e maconha, mas acredito que pouco se fala das drogas legalizadas que também podem causar sofrimento e alterações significativas ao feto se não forem prescritas e administradas pelo médico.

A síndrome de abstinência neonatal (a sigla é NAS) engloba um grupo de problemas de saúde que um bebê apresenta quando a mãe utiliza drogas e álcool durante a gestação.

Estima-se que 3 a 50 por cento dos recém-nascidos foram expostos ao uso de drogas materno, de acordo com a população e área do país. Atualmente, temos evidências suficientes para confirmar a ação neurotóxica para o ser humano em desenvolvimento.

Estatísticas americanas revelam que a prevalência do uso de drogas entre as mulheres em idade fértil é alta: aproximadamente 34 milhões de mulheres nesta faixa etária usam álcool com frequência, mais de 18 milhões são fumantes e mais de 6 milhões usam maconha.

As mulheres que não reduzem o uso de tais drogas até que a gravidez seja confirmada, o que pode ocorrer até 2 meses após a concepção, podem deixar o feto irreversivelmente afetado.

A consequência do uso de algumas drogas são:

Cocaína (Estimulante do Sistema Nervoso periférico)

Maior taxa de aborto espontâneo, retardo de crescimento intra uterino, alterações vasculares placentárias, trabalho de parto prematuro, microcefalia, síndrome da abstinência do recém-nascido, malformações do trato geniturinário e distúrbios do comportamento.

A porcentagem de sofrimento fetal é significativamente mais elevada em relação a gestações normais. Em fetos expostos à cocaína ou heroína foi estabelecido uma taxa normal com valor de 9, síndrome de abstinência leve entre 9 e 12 e maior que 12 nos quadros moderados e graves.

Anfetaminas (medicamentos para aliviar fadiga, aumentar resistência ou eliminar sonolência).

As anfetaminas e a cocaína têm semelhanças em sua ação farmacológica e consequentemente efeitos similares na placenta e no feto.

Desse modo, no caso das mães que abusam de anfetaminas durante a gestação podem ocorrer lesões placentárias (em nível vascular), retardo de crescimento intrauterino, prematuridade, alterações comportamentais e motoras em seus recém – nascidos.

As anfetaminas estimulam a liberação de monoaminas (dopamina, serotonina e noradrenalina), impedindo sua degradação e reabsorção. Aumentando os níveis séricos de corticosterona.

Estudos utilizando o “Score de Finnegan” demonstram alterações comportamentais e motoras neonatais caracterizadas por: insônia, anorexia, tremores e hipertonia. Seguindo uma fase de irritabilidade acentuada, algumas crianças apresentam extrema sonolência, letárgicas, com depressão neurológica generalizada e necessidade de sonda gástrica para alimentação.

Álcool– SAF (Síndrome do Alcoolismo Fetal)

A exposição pré-natal ao álcool pode levar a inúmeras alterações fetais, que dependem da concentração sanguínea de álcool, da idade gestacional e a frequência do uso do álcool. Nem todas as gestantes alcoólatras geram crianças portadoras de SAF.

O Etanol apresenta propriedades teratogênicas( podemos encontrar esse agente também na nicotina,alguns antibióticos e tinturas para cabelo), sendo assim podem causar aborto, profundas anomalias morfológicas, retardo mental severo, disfunções cognitivas e em casos leves alterações no comportamento (sutis) sem ausência de malformação detectável.

Características do Bebê SAF:

Odor de álcool na respiração e no líquido amniótico, fissura palpebral pequena, face achatada, filtro nasal achatado ou longo, lábio superior fino, queixo pequeno.

Manifestações neurocomportamentais:

Microcefalia, tremores, desenvolvimento lento, hiperatividade, problemas de aprendizagem como o déficit de atenção e perda de memória. O período crítico para exposição ao álcool parece ser entre duas a oito semanas da concepção.

Maconha

Fried relata que o uso crônico da droga está associado à prematuridade, trabalho de parto prematuro e incidência aumentada de sofrimento fetal.

Autores canadenses analisaram crianças com uma semana de vida e observaram que a exposição pré-natal ao uso da maconha estava associada a presença de tremores finos, exacerbação do reflexo de moro (o reflexo acontece com estímulo do susto), exacerbação do reflexo de sucção, um choro peculiar “cri-du-chat” e atraso no desenvolvimento da visão do bebê.

Barbitúricos (Tranquilizantes, antiepilépticos, somníferos)

A suspensão abrupta do uso de barbitúricos pode levar a sintomas de abstinência nos indivíduos habituados a eles. Se forem usados durante a gravidez, são capazes de ultrapassar a barreira placentária e atingir o feto.

Após o parto o bebê não receberá mais a droga e poderá ter sintomas de abstinência mesmo que a mãe tenha feito uso da droga por um período curto. Os sintomas de abstinência geralmente são tardios, ocorrendo quando a criança já recebeu alta hospitalar. Na maioria das vezes, a mãe não mostra sinais ou não refere uso da droga.

Os sintomas agudos são: choro persistente, tremores, insônia, mastigação e mais tardiamente encontraremos exacerbação do reflexo de sucção, choro prolongado, irritabilidade, sudorese, que podem durar até meses. O Comportamento do bebê está muito relacionado com o ambiente em que vive, o período pode durar de 2 a 3 meses.

Cuidados necessários ao RN com Síndrome de abstinência aos barbitúricos

-Colocá-lo em isolette aquecida, com pouca iluminação, com alimentação frequente, se apesar disso o RN ainda estiver agitado, chorando e com tremores ou com hipertermia será usado fenobarbital ( procedimento hospitalar).

– O uso de chupetas é indicado, satisfazendo o reflexo de sucção exacerbado.

O RN poderá receber alta com orientações precisas sobre o quadro, e revisão clínica periódica.

Opiáceos (morfina (dor), Heroína (droga ilícita recreativa de abuso)).

Mais da metade dos recém-nascidos de mães viciadas em heroína apresenta peso inferior a 2.500g ao nascimento, retardo do nascimento intrauterino e nascimentos prematuros parecem ser os responsáveis pelo baixo- peso destas crianças.

“Durante a primeira semana de vida, a maior parte das crianças expostas aos opiáceos durante a vida intrauterina mostra uma síndrome de Abstinência bem nítida de tremores, hipertonia, reflexos exacerbados, choro alto e gritando, alimentação e sono pobres, febre, taquipnéia, diarreia, secreção mucosa e sudorese.

No primeiro mês os sinais atenuam e por volta de um mês percebemos apenas diferenças mínimas.

O cigarro é outro vilão… A principal consequência na gestação é a restrição do crescimento intrauterino.

Tem como parar?

É uma decisão que envolve muita força de vontade, é sempre bom ter ajuda nessas horas, ou a família, ou amigos de confiança… Você deve comentar com a equipe profissional que acompanha seu pré-natal no hospital ou UBS se você usou ou usa algum tipo de droga, eles estão preparados para lhe auxiliar. O bebe nesse momento depende quase exclusivamente da mamãe, não deixe de falar e perguntar lembre-se de que eles são profissionais que já viram coisa muito pior e são treinados para auxiliar e cuidar dos seus pacientes da melhor maneira possível. 

Se achar que não dá mesmo para se abrir com o médico, você pode conseguir ajuda confidencial na sua região através do serviço Viva-Voz da Secretaria Nacional Antidrogas, através do telefone 132.

“O valor do amor está vinculado a soma dos sacrifícios que estas disposto a fazer por ele.” – Ellen G. White

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Bruna Fiusa, Fisioterapeuta formada pela Universidade Anhanguera de Piracicaba (2012). Trabalha como Fisioterapeuta Neurofuncional na Associação de pais e amigos dos Excepcionais de Iperó SP, faz atendimento a domicílio e em seu consultório na cidade de Tatuí SP. Trabalha atualmente com Uroginecologia, com o foco em crianças hiperativas. Também realiza Grupos Terapêuticos femininos para fortalecimento do Períneo. Ministra palestras em escolas, empresas, eventos beneficentes e grupos particulares (os temas podem variar de acordo com a necessidade).

Consultório:  Tatuí, São Paulo.

Telefone para contato: (15) 99175-4039