Autismo X Dieta SGSCSS

Em minhas redes sociais, sempre menciono o fato de evitarmos que nosso filho consuma determinados alimentos desde que ele completou dois anos e isso gera algumas perguntas; a começar pela sigla que se refere a tal alimentação e não é familiar para todas as pessoas: SGSCSS se refere a uma alimentação sem glúten, caseína (uma proteína presente no leite) e soja.

Hoje vou dizer um pouco da nossa experiência, deixando bem claro que este não é um texto técnico, já que esta não é esta a minha área de formação. Posso apenas falar do lugar de mãe e de minha experiência com uma única criança. Sei que este tema é controverso e que se nem os profissionais que se debruçaram a vida inteira a estudar sobre nutrição conseguiram entrar em consenso, não será mais um relato materno que irá ter este tipo de efeito e nem é a pretensão.

Há muitas teorias que dizem de uma relação entre autismo e alergias alimentares e outras tantas que negam tal relação. Como mãe, penso que, ao invés de perder noites de sono pensando se o filho é ou não alérgico, nada melhor que procurar um profissional competente na área para realizar todos os exames que possam confirmar ou descartar tais hipóteses.

Em nosso caso, Bernardo passou por uma bateria de exames onde foram detectadas diversas alergias alimentares e em um momento ele chegou a seguir uma dieta extremamente restritiva, o que acabou por se mostrar insustentável para a família, pois além de todas as outras questões, ir a eventos sociais e ser privado sempre das coisas, fez com que ele passasse a ficar irritado em momentos que outrora seriam considerados prazerosos. Ou seja, presumia-se que havia um ganho orgânico mas havia uma perda social que acabava de ir na contramão de todo o nosso trabalho com as outras terapias. E há algo que as pessoas mais militantes com a causa da dieta se incomodam bastante quando digo mas realmente quando havia “furos” na alimentação dele, isso não trazia nenhuma consequência como perda de habilidades ou algo que nos preocupasse.

Após oito meses de dieta SGSCSS bem rígida, seguidos por quatro meses de uma dieta mais rígida ainda, saímos de férias onde Bernardo teve alimentação livre por quinze dias sem apresentar efeitos colaterais. Não foi um experimento, e sim aconteceu porque eu e o pai dele estávamos exaustos demais para transformar toda nossa viagem em uma luta diária para impedir que o Bê comesse pão no hotel. Nos preparamos para ter que lidar com uma possível regressão, mas, ao invés disso, Bernardo voltou das férias formando frases, o que não acontecia.

Sendo assim, procuramos uma segunda opinião médica e, para nossa surpresa, esta foi enfática em concluir através de exames que não havia nenhuma alergia alimentar.

Entretanto, mesmo assim, optamos por reduzir o consumo dos alimentos citados anteriormente. Ao longo desse caminho de dieta, estudamos o suficiente sobre soja (com seu efeito estrogênico), leite ( Dr. Lair Ribeiro tem muito material divulgado sobre isso, onde questiona, entre outras coisas o fato de sermos a única espécie a se alimentar de leite de outras espécies e tomar leite enquanto adultos – clique aqui para ver) e trigo ( Indico o livro “Barriga de Trigo”, de William Davis, onde há muita informação sobre o efeito opióide do trigo e as mudanças genéticas a que ele foi submetido), para acreditar que estes alimentos devem ser evitados por todas as pessoas, independente de estarem no espectro do autismo ou não.

Atualmente, após um ano de dieta realmente rígida, não acredito que podemos dizer que Bernardo segue rigorosamente a SGSCSS; o que fazemos é evitar e não oferecer alimentos que tenha algum desses ingredientes na fórmula, mas ao mesmo tempo ter certa flexibilidade em eventos ou situações sociais onde haja oferta de comidas que ele goste. Nosso objetivo atual é apenas evitar uma sobrecarga.

Isso é algum manual ou receita de bolo? De forma alguma. É o que funcionou para nós, somente. Claro que há crianças com alergias severas onde tal “flexibilidade” seria na verdade uma negligência por parte dos pais. Há crianças com autismo que possuem muitos ganhos com a dieta e se desorganizam com o consumo de algum desses alimentos. Tenho amigas que relatam que os filhos obtiveram muitos ganhos após o início da SGSCSS… Mas, como com todo o resto, nem todas as pessoas reagem da mesma forma e cabe aos pais e profissionais colocarem na balança e pesarem os prós e os contras para aquela criança. Só há uma maneira de saber a forma como seu filho irá responder e é tentando (com o respaldo de profissionais competentes) e acho super válido que se faça isso.

Da mesma forma, nesse momento em que há uma “cultura da dieta para pessoas com autismo”, que os outros pais e os profissionais também acreditem nos pais que não viram tantos benefícios com a experiência e respeitem os que optaram por nem tentar. Em alguns espaços, falar qualquer coisa que não seja no sentido que a dieta foi um divisor de águas ( sendo que de fato é para alguns, mas não para todos) é recebido com bastante hostilidade e as pessoas querem ouvir apenas o que confirme suas próprias teorias. Pensemos nisso também.

Um grande abraço e até a próxima!

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Érika Andrade, mãe do Bernardo, Psicóloga e administradora do instagram @maternidadeazul.

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