AUTISMO E TREINAMENTO DE PAIS

Cuidar e educar uma criança com autismo pode requerer dos pais a aquisição de competências específicas para que estes possam contribuir mais efetivamente com o processo de desenvolvimento de habilidades do filho. Isso pode ser alcançado à medida que os pais conseguem transformar rotinas diárias em diversas experiências de aprendizagem. Posso dizer que nosso acompanhamento através de Treinamento de Pais, desde o diagnóstico do nosso filho, foi fundamental para nos dar um norte, principalmente no começo, com tantas dúvidas e informações.

Algumas pessoas podem pensar, por exemplo, que pais e mães possuem, natural e intuitivamente, noções sobre como aproveitar e/ou criar novas oportunidades de aprendizagem para seus filhos. Entretanto, na maioria das vezes, esta é uma habilidade que precisa ser treinada. Há pais e profissionais que possuem resistência em usar a palavra “treino”, mas este não é meu caso e não julgo necessário o uso de eufemismos para dizer disso, tendo em vista a definição de treino como um processo para aquisição de habilidades e competências.

Além disso, nem sempre é possível que os pais consigam manter um grande número de profissionais, de diversas áreas de formação, para acompanharem o filho. Isso pode ocorrer por entraves financeiros, de tempo ou de outras ordens. Neste caso, os pais precisam fazer escolhas difíceis sobre o que e quem manter ou tirar. Levando isso em consideração, é importante ressaltar que, ao passo em que um terapeuta costuma ficar uma hora por semana com a criança, os pais costumam dispor de muito mais tempo com ela, o que pode ser convertido em várias oportunidades de aprendizagem se eles souberem aproveitar as diversas chances que os próprios momentos de cuidado com a criança trazem. Pensando sob esta ótica, investir nos pais é uma estratégia inteligente e eficiente para otimizar a aquisição de habilidades do filho durante a maior parte da vida dele, que ocorre fora do consultório. Ademais, aprender em seu ambiente “natural” é um facilitador para a generalização dos novos conhecimentos. Tal generalização é fundamental para que as habilidades adquiridas passem a ter, efetivamente, impacto positivo na qualidade de vida da criança.   Já falei anteriormente sobre este tema aqui.

Cabe lembrar aos profissionais de que a elaboração das metas familiares deve ser pensada levando-se em consideração as demandas e angústias de cada família. Não podemos pensar em algum tipo de “receita” que funcione para todos. Mesmo porque, dificilmente os pais irão envolver-se ou dedicar-se para o alcance de metas se estas não fizerem sentido para eles ou que destoam totalmente do que eles consideram prioridade, preocupação ou dificuldade naquele momento.

Um grande abraço e até a próxima!

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Érika Andrade, mãe do Bernardo, Psicóloga e administradora do instagram @maternidadeazul.

Contato: maternidadeazul@gmail.com