A generalização de aprendizagem no autismo

No texto “Quando menos é mais”, escrevi sobre os momentos de férias escolares e de terapias, e os apontei como os momentos em que observo em meu filho maior generalização dos aprendizados adquiridos ao longo do ano. Hoje irei escrever sobre o que seria a tal generalização e a importância do desenvolvimento desta competência para crianças com autismo, que muitas vezes apresentam dificuldades em aplicar o que aprenderam em uma situação específica em outras situações semelhantes.

Generalizar é, basicamente, conseguir utilizar as habilidades aprendidas durante as terapias em contextos variados, emitindo respostas adequadas em ambientes distintos daquele onde determinada habilidade foi treinada (muitas pessoas possuem resistência em usar a palavra “ treino”, mas não é o meu caso).

Exemplo: a criança é estimulada pelo terapeuta a apontar algo que quer e faz o gesto durante as terapias, mas não repete o feito em casa e na escola. Só poderemos considerar que o objetivo da meta “ apontar”  foi realmente alcançado quando a criança conseguir aplicar o que foi aprendido nos diferentes ambientes em que circula, não apenas em terapia. Só assim, o aprendizado ou a mudança de comportamento poderão ser considerados realmente efetivos e irão contribuir para qualidade de vida/independência da criança.

Para facilitar a generalização há a tendência que as intervenções sejam feitas em ambientes variados (considerados mais naturalistas), ou mesmo no ambiente natural da criança, como em seu próprio quarto ou na escola. Em sala de aula, por exemplo, um mediador escolar bem orientado poderá contribuir muito com esse processo, ajudando a criança utilizar as habilidades que foram desenvolvidas em terapias no ambiente natural (escola).

Quando não for possível que a intervenção se dê em ambiente considerado mais “natural”, pode-se, também, tentar reproduzir em consultório, na medida do possível, situações que sejam próximas das vivenciadas pela criança em seu dia a dia.

Para favorecer tal processo, é necessário que todos os profissionais estejam alinhados em suas intervenções, atuando de forma coesa e com objetivos comuns, através da atuação transdisciplinar, sobre a qual já falei anteriormente, evitando muita discrepância nas exigências, expectativas e respostas aos comportamentos da criança.

Um grande abraço e até a próxima!

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Érika Andrade, mãe do Bernardo, Psicóloga e administradora do instagram @maternidadeazul.

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